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Escuridão Indefinida, Parte 2 – III

2 02UTC Agosto 02UTC 2011
« - Devias ter mais tempo para ti. – Disse ele, deitado na cama dela, de barriga para cima e com o rosto virado para ela. Estava com um sorriso fantástico, mas só a presença dele ali, significava muita coisa.
Ela retirou os seus olhos dos dele e fixou-os na sua mão. Não conseguiu evitar que uma gargalhada expirada se soltasse pelo seu nariz.
- Eu tenho tempo para mim. – Respondeu quase de imediato. Porque tempo para si própria era o que não faltava.
- Eu digo que… Devias pensar mais em ti e não pensares tanto nos outros. – esclareceu, mantendo-se na mesma posição, continuando a olhá-la. Ela engoliu em seco e tentou sorrir, mas soube que preferia não sorrir, porém, assim, estaria a dar a sua cara de jovem deprimida e isso era a última coisa que queria nesse momento.
Ficou em silencio durante longos momentos. Ninguém falou, até que ela soltou uma gargalhada seca e anuiu.
- Pronto… Está bem, mas as pessoas são minhas amigas. – Explicou ou pelo menos tentou. Ele olhou-a com um sorriso.
- Vês como eu sei?
- Mas… – hesitou, mas recompôs-se e recomeçou a frase, ainda sem o olhar - Às vezes, se calhar, dou demasiado de mim e não devia. – Admitiu, num tom triste. Lembrando-se que ele era um verdadeiro exemplo disso. Mas não se arrependia de dar demasiado de si, na grande parte das vezes. Só tinha pena de não se aperceber cedo demais do que estava a dar.
Ele não respondeu e o silêncio voltou a instalar-se no quarto. Ela agarrou na sua almofada vermelha em forma de coração, acariciando-a.»
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