Viajar…
Sabem o que é melhor para a fugir de uma rotina secante? Viajar.
Viajar e fugir do nosso país, ver novas paisagens, aprender uma nova lingua, conviver com pessoas diferentes do que estamos acostumados.
Mudar…
Trata-se sempre disso, de mudar. Infelizmente tenho fases em que quero mudar radicalmente e faço-o fisicamente, aparentemente. Mas na minha mente acabo apenas por enterrar ou fechar algo que quero esquecer e mudar. Nunca apago, nunca altero nada. Porque a raíz fica sempre e sempre lá. E depois cresce.
Mas, provavelmente, é por isso que somos humanos e quando não conseguimos trocar aquilo que sentimos… Fugimos. Quando queremos adiar a dor: fugimos.
Não, eu não estou a fugir, apenas a afastar-me da altura stressante que este mês, deste preciso ano, que me deixa ansiosa. Quero saber resultados, porque é o meu futuro que está em risco e a paciência que eu tenho está a esgotar-se. Certamente se esgotaria mais depressa se estivesse em Portugal, em casa.
Quero matar “saudades” de… todos.
Está a dar comigo em doida, por isso… viajei 1600 km. Qualquer dia volto!
Joana Alves
Little bip
Ontem, o meu telemóvel tocou.

Portanto, li um outro nome e sorri. Infelizmente era má altura para receber um telefonema. Mas, Sofia Nunes, aqueles seis minutos de conversa – apressada, se me permites – foram os melhores que eu tive em bastante tempo. Senti em ti uma amiga que precisava naquele momento! Até o calor da tua voz me fez rir e sorrir!
Não sei se é apenas impressão minha mas empreguei a expressão de “Melhor amiga”, pela primeira vez desde sempre. Senti-me segura, contente e bem!
Adoro-te minha pequena!
Palavras de Apollo
Um dia, um frio dia de Janeiro, alguém escreveu estas palavras, Apollo escreveu-as. Cravando-as no meu coração como se de uma vingança seca se tratasse…
Recolhi a minha Alma a um canto, protegendo-a, de um golpe profundo e arrebatador. Na verdade, protegi a minha alma de tais memórias, porque, hoje, um ano e sete meses depois, estou a lê-las de novo e a recordá-las, como se elas nunca tivessem sido escritas.
Feriste-me tanto, Apollo. Rasgaste tanto o meu coração, na altura! Mas o tempo passou e eu sou capaz de discernir as recordações, juntando-as uma a uma e apercebendo-me que a culpada fui eu. Eu e serei sempre eu.
«“Onde estás? Em que rocha descansas o teu corpo intermitente?” Questiona-se subitamente Apollo, que então se olhava com a alma nua ao espelho que era a sua mente infinita. A sua devoção por Aponi, cresceria como o germinar na Primavera de um gladíolo, num canto desconhecido do interminável Jardim da Babilónia, mas ela acabara partindo numa jornada que Apollo não poderia acompanhar. Apenas lhe restava as palavras transcritas dos pensamentos soltos daquela “fada” do seu quotidiano, em variados pergaminhos tonificados com a coloração rosada que se assemelhava à face de Aponi. Uma enorme tundra silenciada pelas minusculas brisas que lhe acariciavam os campos abandonados, tornava-se cada vez mais o cenário do coração de Apollo. Pois, por mais que existisse apenas vazio na sua cabeça, actuava constantemente um pequeno toque sobrenatural de adoração, saudade e desespero vinda daquela essência tão rara como a que de Aponi.
E então ele chorou uma lágrima, que mais tarde seria o seu oceano de recordações.
“Até um dia.” – Disse ele para o Nada.»
Aponi
Escuridão Indefinida, Parte 2 – III
- Eu digo que… Devias pensar mais em ti e não pensares tanto nos outros. – esclareceu, mantendo-se na mesma posição, continuando a olhá-la. Ela engoliu em seco e tentou sorrir, mas soube que preferia não sorrir, porém, assim, estaria a dar a sua cara de jovem deprimida e isso era a última coisa que queria nesse momento.S.O.S
Prefiro não invocar palavras que acalentarão esperança. Esperança essa que se pode esfumar entre os meus dedos sem que eu me aperceba, pode desaparecer enquanto os meus olhos se fecham a cada instante.
Não vou aclamar palavras, não agora, não hoje, não num futuro que eu conheça ou preveja.
Bonnie
Consolidação
Acima de tudo tenho medo…
Sim, além de toda a esperança que se apoderou do meu coração, tenho medo. Tenho medo de voltar a cair. Agora sei, porque aprendi, que tudo nos escapa entre os dedos numa rapidez incrivel e agora… Agora, não quero que isso aconteça, de novo.
Só peço, do fundo do coração, que não aconteça de novo.

Eu quero, eu desejo que os grãos de areia não fujam da minha mão, não quero que fujam todos, de novo. Sim, eu quero que eles sofram uma espécie de diagénese no centro da minha mão e que consolidem para não fugirem, para não voarem. Eu irei protege-los, porque eles são a minha felicidade.
Tenho que os protejer.
Consegui rever-te
Finalmente consegui ver-te, na realidade. Não foi apenas num sonho, não foi apenas num pensamento. Eu vi-te, vi-te lá ao longe, reconheci-te bem antes de provavelmente me veres. E fiquei aterrada.
O meu corpo perdeu o fôlego, o meu coração desatou a bater freneticamente, sem qualquer limite e senti-me sem forças de te ir cumprimentar. Senti-me envergonhada, bastante envergonhada e havia muita gente. Além disso, já não estavas em ti, certamente. Mas peço desculpa pela minha falta de coragem.

Por mais que desejasse um encontro entre nós, de novo, não consegui sequer trocar uma palavra contigo. Não fui capaz, porque tive medo e fiquei apática, sem reacção. Mas cada vez que me lembro sorrio, porque… não foi em vão o que fiz para te ver.
Quem sabe se… ganho alguma coragem, algum dia, e te diga um simples olá.
Joana Alves
Daniela…?
Minha cara Daniela, obrigada por me acompanhares nas doideiras da noite. A tua maluquice é maior que a minha e sei que eu é que não te acompanho, mas sabes bem que a minha vida não está programada para me perder na noite dessa maneira, minha querida.
Mas não é por isso que deixo de dizer obrigada ao teu companheirismo.
Lembras-te do nosso quarto de Calpe? Lembras-te do nosso desarrumado roupeiro? Ahahah! As cruzetas eram quase todas tuas! E lembras-te das vezes que eu tive que entrar pela varanda porque não tinhamos a chave connosco?
Então e a aquelas vezes que ficávamos no quarto, zangadas, a ouvir música ou a dormir? Ou então quando acordávamos para ir tomar o pequeno almoço ou para ir já, quase almoçar, para irmos para a praia?
Tantas recordações, minha pequenina! Recordações que eu espero nunca esquecer!
Já estás marcada.
P.S: E agora? Vamos dar um mergulho até à piscina? Só fecha às 19.00h!
Joana Alves
Lado Maligno
Querida Calish,
Agora percebo porque apareceste. Percebo o porquê do teu surgimento inesperado… Tu és aquela parte de mim que está sofucada na rotina que leva, que está presa nas próprias lembranças e que teme os sentimentos.
Nunca tinha pensado no teu aparecimento até que me perguntei no porquê de ter criado mais um nome, mais uma personalidade. Então apercebi-me que não sou eu que fico inspirada, são todas as minhas partes, que se estilhaçaram que criam, que criam algo bonito de se ler.
A única coisa que eu faço é fugir. Fugir e isolar-me num mundo à parte onde tento que ninguém me alcance e, são nestes momentos, que alguém dentro de mim surge para dar vida ao que eu já não consigo viver.
Desta vez apareceste tu, um ser de cabelos negros, compridos, pele pálida e olhos negros, duros. Surgiste do nada, mas percebo o porquê desse teu aparecimento.
Eu tenho sido má, tenho sido alguém que, até ontem, não percebia bem como agia, como sentia, como vivia. Mas sim, agora apercebo-me que não era eu. Eras tu a viver no meu corpo! Toda a maldade que passava pela minha mente, todas as respostas tortas que imaginava, todos os sentimentos que deixava de sentir… Eras tu. Eras tu que estavas a criar, a prender, a sofucar a minha existência.
Mas surgiste e és aquela parte de mim que está cansada de ser sempre a boazinha, és aquela parte que quer ser livre e dar um passo para fora da janela sem sentir medo… Tu fazes-me andar em frente de um modo completamente diferente ao que me tinha habituado.
E, mesmo assim, partilhamos o mesmo receio da rotina, o mesmo receio de acordar e não fazer nada diferente ao dia anterior.
És uma parte mim, porém tens mais vida que eu e, sim, eu vivo em função da tua ou das outras existências, mesmo sabendo que lá no fundo ainda existe um resquício de força minha. Só que ela é demais para mim, não a sei controlar.
Mas eu não quero ser má. Nem vou ser: agora que descobri o que tu és.



